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WILSON TAFNER

Wilson Tafner nasceu em 1967, na cidade de São Paulo. Em 1990 concluiu o Curso de Direito pela Universidade de São Paulo. O ano de 2000 marca a decisão de dedicar-se à produção artística e cultural. A partir de então, começa a construir sua linguagem plástica, na qual confluem as questões da pintura e as várias dimensões temáticas de seu trabalho como Promotor de Justiça da Infância e da Juventude. O artista está apresentando, na Casagaleria, a partir de 10 de maio de 2005, a exposição “Ninguém Nasce Bandido”.

Depósito, Enjaulado, Patada, Tranca, Ninguém nasce bandido, Queimado e Couro colocam-se como momentos do pensamento de seu criador e definem sua trajetória artística iniciada há cinco anos. São diferentes intenções ligadas por um fio condutor que é a sua própria vivência nos últimos anos com os adolescentes e jovens internos da FEBEM/SP.

Os trabalhos formam uma unidade estética situada entre aspectos expressivos e construtivos, aliados a um vigor imagético com intensas referências culturais, nas quais o artista não se furta de fazer um recorte pictórico da dramática realidade social brasileira.

Os títulos das obras, também, indicam os passos vivenciados por Tafner naquela realidade. Depósito - um redemoinho de faces, sem formas corpóreas definidas e, ao mesmo tempo, iluminadas por olhos que parecem fixar o terror desse anonimato. Em Enjaulado, o plano construtivo faz recuar para o interior do espaço compositivo um ser que se protege, velado pela atmosfera criada. Em Tranca, uma luz intensa e dourada vinda da janela encantoada derrama-se sobre a figura humana; já a forma diagonal introduz, no espaço da tela, a força física de Patada. Ninguém nasce bandido prenuncia Queimado - nos espaços segregados das telas, ali, mais adiante, alhures talvez, desvelamos toda a dimensão da tortura a que essa juventude é submetida. O ponto final é dado por Couro, obra repleta de metáforas - sulcos marcam o couro, o corpo; pregos enferrujados e sutis sombras de contenção projetam-se na superfície. Por fim, a madeira é o suporte do tronco de uma escravidão que, desde muito, deveria ter sido abolida.

No seu conjunto, essa visualidade estética, clara e atual, traz à superfície a essência do panorama vivido na dura realidade de um Promotor Público e faz de Wilson Tafner uma promessa da arte contemporânea brasileira.

Carmen S. G. Aranha